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Nas próximas duas décadas, o Brasil viverá o pico de sua população jovem. O primeiro recorde será batido já no ano que vem, quando 35,139 milhões de brasileiros, todos filhos da década perdida, terão entre 15 e 24 anos. Outro boom virá em 2025, com 35,782 milhões de habitantes transitando entre a adolescência e a vida adulta. Um país que há anos não dá conta da demanda de sua gente por trabalho pode se assustar com a súbita força jovem. Mas há motivos a comemorar.
O primeiro deles, lembra o economista Edward Amadeo, ex-ministro do Trabalho, tem a ver com o próprio potencial produtivo dessa faixa etária. Poucos países do mundo têm pela frente uma parcela tão grande de população engatinhando na idade de trabalhar. As economias mais desenvolvidas da Europa enfrentam o drama do envelhecimento da população, que torna escassa a mão-de-obra.
— Do ponto de vista da construção das bases de um país maduro economicamente, este perfil etário é o auge. O Brasil será mais ou menos rico de acordo com a capacidade dessa população — diz Amadeo.
O outro aspecto tem a ver com a veia empreendedora da juventude brasileira. Contemporâneos da fase mais crítica do mercado de trabalho nacional, eles cresceram sem a nostalgia que pais e avós nutrem pela carteira de trabalho assinada. Mostram-se mais dispostos aos arranjos criativos e absolutamente flexíveis da economia moderna.
A pesquisa Perfil da Juventude Brasileira, divulgada meses atrás pelo Instituto da Cidadania, trouxe informações valiosas sobre este segmento. Foram entrevistados 3.501 garotos e garotas de 15 a 24 anos em 198 municípios brasileiros. Dentre os assuntos que mais os interessam, 38% citaram a educação e 37%, emprego ou profissão. Do total, 38% sonham abrir o próprio negócio — neste universo, 32% dizem precisar de capital, 18% de espaço e equipamentos, 7% de orientações jurídicas, contábeis e administrativas.
As estatísticas mostram que a juventude transborda em quantidade e disposição. Cabe ao país assegurar a qualidade na formação para garantir seu salto produtivo no futuro. Aí estão os nós. Não há faixa etária mais sujeita à mortalidade por causas externas (violência e acidentes de trânsito). Os jovens são também os que mais sofrem com o desemprego: dos 16 aos 24 anos, segundo os dados do IBGE, de cada quatro que estão no mercado de trabalho, um está sem ocupação. Estão maciçamente na informalidade, trabalhando como autônomos ou empregados sem carteira assinada.
Amadeo sublinha que, entre os que não conseguem emprego, a maioria tem baixa escolaridade. E não pára de crescer a preferência pelo ensino técnico em detrimento da formação clássica, mais robusta no lado acadêmico. Preocupa os especialistas o viés excessivamente profissionalizante, num período em que os adolescentes e quase-adultos deveriam incorporar conhecimentos para tornarem-se aptos ao aprendizado de novas tecnologias.
Mais do que nunca, a educação será a chave para enfrentar as cada vez mais flexíveis relações de trabalho que se avizinham.

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