Psicanálise e corpo
Núcleo de Investigação em Psicanálise e Medicina – IPB – EBP/Ba
Cisne - Um caso feliz*
Célia Salles
- Introdução:
Este estudo de caso se refere ao uso da psicanálise no atendimento de uma jovem anoréxica realizado no setor de Transtornos do Comportamento Alimentar do Ambulatório de Saúde Mental da Escola Bahiana de Medicina, onde a autora deste trabalho é coordenadora. Esse setor se caracteriza por ter sido projetado desde o início sobre os fundamentos teóricos da psicanálise.
Não se trata de uma teoria aplicada a clinica, mas ao contrario, são as palavras mesmas recolhidas da boca da paciente que demonstram a teoria. Segundo estudos desenvolvidos nas reuniões do NIPM trabalhamos com a hipótese de que a anorexia surge como expressão de uma dificuldade encontrada pelo sujeito na puberdade, quando ao ser confrontado com o real da sexualidade falta um recurso para estabelecer um sintoma histérico.Esta dificuldade é o resultado de uma confusão estabelecida na relação do sujeito entre o Outro do amor e o Outro do cuidado o que compromete a dialética da demanda e do desejo.
Freud aponta o separar-se do sexual como um dos três caminhos possíveis que se abrem para a menina frente à sua definição sexual. Sob este aspecto, a anorexia se apresenta como uma das estratégias femininas frente à castração, uma forma de lidar com o sexual se afastando do mesmo.
Em relação ao tratamento psicanalítico da anorexia, numerosos trabalhos referem à necessidade de efetuar manobras para que as anoréxicas abandonem a posição fixa com que chegam ao tratamento. Trata-se de produzir uma mudança: sair do pseudodiscurso capitalista que governa estas patologias e colocar em ato o discurso do inconsciente.
2. O caso:
O caso trabalhado é o de uma menina de 14 anos que há nove meses sofre de anorexia; ela chega ao ambulatório com 27.800 Kg., já havia passado por dois internamentos e, após algumas entrevistas, apresentou uma acentuada melhora do quadro.
O inicio da anorexia, neste caso, é marcado, como veremos, pelo encontro com um significante - ET - o que estabelece uma crise na adolescência desta menina. Esta crise implica por um lado a existência de uma problemática subjetiva na experiência de separação, visto que o encontro com o significante ET separa esta menina de suas colegas; por outro lado a existência de dificuldades no uso do fantasma para organizar um sintoma histérico e enfrentar as novas exigências da sexualidade que a entrada na adolescência impõe ao sujeito.
Estudar o início ajuda a orientar-nos sobre o que a anorexia pretende resolver para este sujeito.
2.1 - Entrevista com a mãe:
A mãe relata seu próprio sofrimento. Diz que é muito ligada à filha, acha que ela é muito dispersa e não tem confiança nela.
Conta que a menina nasceu muito feia, então os familiares a rejeitaram e por causa disto seus pais a protegeram demais.
Não tem explicação para a doença da filha que antes disso era obediente, estudiosa, muito boa; uma infância típica dos casos de anorexia. De repente, passou a não querer mais ir para a escola, se isolar das amigas, passar o dia deitada, enrolada sobre o próprio corpo e se recusar a comer. Se a mãe se ausenta, entra em desespero. Por sua vez, o pai, apesar de gostar muito da filha, não aceita a doença e se afasta quando ela não come; acha que isto acontece por capricho. Na época dos internamentos não foi visitá-la no hospital.
2.2 - A paciente:
Ela chega após o seu segundo internamento que durou cinco semanas. Alimenta-se de três em três horas pela sonda nasogástrica que está usando. A menina não se importa com a anorexia, mas esta é uma questão importante para a equipe que cuida dela e para a mãe. Ela gostaria que as pessoas lhe deixassem em paz; pensa que come bem. Para ela é a mãe que se alimenta mal e por isso ela insiste para que a mãe coma, a mãe se queixa que não suporta a filha lhe mandando comer, já engordou 10 quilos depois que a filha iniciou o processo anorexico.
No contexto deste discurso digo que o problema aparece na comida, mas pode estar relacionado com outras coisas. Não se trata de ser gorda ou magra, mas de ser feliz.
Esta intervenção, aponta na direção de retirar a paciente do discurso da necessidade e da demanda materna "coma", pretendendo abrir um espaço para o desejo.É uma tentativa de descentrar o problema da comida para encontrar um ponto que se direcione no sentido do seu enigma e se articule ao significante da transferência. Mais tarde pode-se observar que Feliz foi a palavra-chave para a resolução do enigma do adoecer desta paciente.
Lentamente ela vai falando de seu dia-a-dia. Destaca-se de sua fala uma tendência a querer acompanhar a mãe nas tarefas domésticas, por outro lado à mãe não suporta que a filha ande o tempo todo atrás dela. Pensando na problemática da separação e tendo como base a informação de que o primeiro sinal da doença foi a recusa em ir à escola, pergunto se houve alguma coisa entre ela e as colegas. Nesse momento, ela faz silêncio e interrompe a sessão. Mais tarde dirá o que se passou.
Em outra sessão ela diz que sua historia preferida é: "o Patinho Feio", ao que lhe digo, "ele era um cisne". Ela responde "para ser um cisne teve que abandonar a mãe, os irmãos, tudo". Após a sessão do Patinho Feio, ocorre uma mudança radical: passa a comer bem, engorda alguns quilos, volta a estudar e retoma sua vida social.
O surpreendente efeito desta sessão demonstra que houve certa elaboração feita pela menina de sua problemática em relação à Alienação/Separação. Lembramos da mãe contando como a filha foi rejeitada pela família ao nascer, por ser feia, e a exagerada proteção que os pais lhe deram.
A mãe entusiasmada com a melhora repentina e acreditando em uma cura, decide mandar a filha passar uns tempos na casa de uns tios. Contra-indico esta decisão, mas mesmo assim, a mãe insiste em tal deliberação e interrompe o tratamento.
A menina não suporta a separação e faz uma nova crise, que pode ser entendida como uma tentativa de resgate da relação com o Outro do amor, aquele que dá o que não tem, esta tentativa que se realiza como uma manobra de separação em ato fracassa, o que a anorexica consegue realizar é uma pseudo-separaçao, o sujeito anoréxico não suporta a angústia de separação, pois não consegue realizar o trabalho de luto que esta implica.
Nesta perspectiva trabalhamos o caso Cisne, que inicia o quadro anorexico quando as colegas lhe chamam de ET , e ela se separa delas, apresenta uma melhora quando elabora algo a partir de sua historia preferida o Patinho Feio, o gozo é tocado, mas sabemos que isto não é suficiente, é necessário o acesso a outras modalidades de gozo, com a separação ela adoece novamente.
No retorno ao tratamento, ela explica com gestos que não quer falar, então lhe é oferecido papel onde escreve: "por favor, deixe eu fazer o que eu quero, ir para o hospital, colocar a sonda e ficar lá".
Na frente da menina digo à mãe para escutar a filha. Pretendo com isto que a mãe não condicione seu amor, assim como retornar ao momento inicial, no sentido de abrir espaço para o desejo. Esta intervenção com a mãe é decisiva, porque a palavra endereçada a mãe foi uma forma de introduzir um espaço entre ela e a filha que a função paterna carente (mas não foracluida), não havia permitido. Comer ou não comer não é a questão fundamental. Ao mesmo tempo voltamos ao momento inicial procurando deslocar a questão de comer ou não comer para a questão de ser feliz e desta forma abrir espaço para o desejo, implicando-a como sujeito para apropriar-se de seu sintoma na relação transferencial.
Estando a paciente internada, a equipe do hospital institui o alimento por sonda e suspende as visitas e a TV. A pedido da mãe vou visitá-la e pergunto sua opinião sobre o tratamento, sua resposta é lacaniana:
não me importo, eu não quero TV, visitas, NADA", ao que surpreendentemente acrescenta: - "não é que não quero comer. Se tivesse um cardápio no qual estivesse escrito NADA, eu pediria esta comida".A equipe estava dando o que ela queria.
Ela aumenta o peso, recebe alta e retorna para o atendimento no ambulatório.
Nas sessões desenha e depois fala algumas palavras. Em todos os desenhos aparece uma frase riscada, questionada sobre isto, ela diz que não sabe. Seguramente nos riscados toma forma o real que na vertente significante representa a falta estrutural do sujeito e na vertente do objeto pulsional seu objeto nada.
Em um desenho aparecem três borboletas: uma bonita e duas feias. Ela escreve que as borboletas vivem no mesmo mundo, mas a bonita e colorida, apesar da beleza, é infeliz e acanhada e as duas feias, apesar de não serem coloridas, vivem felizes e extrovertidas. Acerca do desenho se expressa com a seguinte reflexão: Eu sou um pouco de cada uma...Pensava que para a pessoa ser feliz precisava ser bonita; aprendi que não é assim.
Neste momento, esclarece o início de sua anorexia, relatando com precisão o que lhe aconteceu: na escola as colegas lhe chamaram de ET por sua feiúra, isto a levou a se isolar e ficar doente. Esclarece ao mesmo tempo a resolução de sua anorexia, ao dizer que no início do tratamento, quando lhe foi perguntado se houve alguma coisa entre ela e as colegas e quando ouviu que se tratava de ser feliz, se lembrou das colegas lhe chamando de ET e se perguntou: "um ET pode ser feliz?" Naquele instante, nada relatou porque sentiu vergonha e saiu da sala interrompendo a sessão.
Foi a contingência do analista ter pronunciado a palavra feliz o que fez efeito no tratamento deste caso?
A interpretação que funcionou como ato onde foi assinalado que não se tratava de ser gorda ou magra, mas de ser feliz, se articulou com a história do Patinho Feio, com o significante ET - seu apelido na escola - significante este que deu a partida da anorexia, aliado ao significante feia com que foi recebida ao nascer. Estes significantes atuaram sobredeterminando a anorexia na perspectiva da Alienação/Separação e na dificuldade de aceder à posição feminina.
Feliz foi o significante que, ao ser pronunciado pela analista, leva a uma elaboração que culmina no seguinte questionamento: alguém feio pode ser feliz? A elaboração desta pergunta demonstra que houve uma mobilização de saber, uma construção de saber, que funcionou como um tratamento.
Feia parece ser o significante da transferência. Na perspectiva do supereu, este adjetivo, como imperativo de gozo, levou-a a infelicidade; na perspectiva da recuperação de seu desejo, Feia pôde se articular a Feliz.
A vergonha é um elemento fundamental que apareceu quando ela se lembrou do apelido ET e se fez a pergunta: Um ET pode ser feliz? A vergonha é signo de restituição da instância do significante amo e revela a passagem do pseudodiscurso capitalista ao discurso do inconsciente.
Outro ponto interessante que merece destaque a partir da primeira interpretação é em relação à temporalidade:
O instante de ver - "Um ET pode ser feliz?"
O tempo de compreender -Patinho Feio, As borboletas.
O momento de concluir - Feia/Feliz, um ET pode ser feliz.
Ao tempo em que vai saindo da posição anoréxica, concomitantemente são observados elementos edípicos e histéricos nos seus desenhos e nas reflexões que faz sobre estes.
1 - Em um desenho aparece um menino apontando uma árvore cheia de maçãs para uma menina que não tinha visto os frutos.
2 - Nomeou outro desenho de "Mundo colorido e casais de passarinhos".
3 - Em outro aparece um diálogo entre ela e o pai.
Neste tempo ela está mais gorda e lhe é dito que está diferente, ao que ela responde: "estou mais feminina" e aponta para os seios.
Traz os bordados que faz, fala da viagem que fez com a mãe, do parque, dos primos, da amiga, de sua vaidade feminina: Aproveitei que ia viajar, fiz o cabelo e pintei as unhas, me mostra com orgulho.
4 - Trevos: Pergunto pela frase riscada, e aponto que em todos os desenhos risca uma parte. Não sei porque risco, não havia observado isto. Penso que esta parte riscada aponta ao Real.
4 - Em seu último desenho, conta uma história na qual chega em casa com o dinheiro que ganhou vendendo as caixas que fez. Diz que o pai lhe chama de caixeira e que ela vai ser a caixeira do pai.
Posteriormente ficou constatado que ela retomou seus estudos e os problemas com a comida não retornaram. Aposta-se que a anorexia não retorne, pois a menina demonstra em seus desenhos e falas que iniciou uma entrada no que poderia se chamar de estratégia histérica.
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Psicoanálisis y cuerpo
Núcleo de Investigación en Psicoanálisis y Medicina - IPB - EBP/Ba
CISNE - UN CASO FELIZ *
Célia Salles
1. Introducción:
Este estudio del caso se refiere al uso del psicoanálisis en la asistencia de un anoréxica joven realuzado en la sección de Trastornos de la Conducta Alimentaria del Ambulatorio de Salud Mental de la Escola Bahiana de Medicina, donde la autora de este trabajo es coordinadora. Esa sección se caracteriza por haber sido proyectada desde el principio sobre los fundamentos teóricos del psicoanálisis.
No es una teoría aplicada la clínica, sino al contrario, son las mismas palabras de la boca de la paciente las que demuestran la teoría. Según estudios desarrollados en las reuniones de NIPM que nosotros trabajamos con la hipótesis que la anorexia aparece como expresión de una dificultad encuentre por el asunto en la pubertad, cuando al confrontarse con el Real de la sexualidad le falta un recurso para establecer un síntoma la dificultad de histérico.Esta es el resultado de una confusión establecido en la relación del asunto entre el Otro del amor y el Otro del cuidado que compromete el dialética de la demanda y del deseo.
Freud apunta separando del sexual como uno de los tres posibles caminos que abren para el frente de la muchacha a su definición sexual. Bajo este aspecto, la anorexia viene como uno de las estrategias el frente femenino a la castración, una forma de funcionamiento con el sexual si marchándose del mismo.
Respecto al psicanalítico del tratamiento de la anorexia, los numerosos trabajos se refieren a la necesidad de maniobras de fabricación para que el anoréxicas abandone la posición fija con eso llegue al tratamiento. Es producir un cambio: salir del pseudodiscurso capitalista que gobierna estas patologías y poner en acto el discurso del inconsciente.
2. el caso:
Los trabajaron el caso es él de una 14 muchacha año-vieja que hace nueve meses sufre de anorexia; ella llega a la clínica de salud nacional con 27.800 Kg., ya había pasado por dos internamentos y, después de algunas entrevistas, presentó una mejora acentuada del cuadro.
Yo lo empiezo de la anorexia, en este caso, es marcado, cuando nosotros veremos, para el encuentro con uno significante - ET - lo que establece una crisis en la adolescencia de esta muchacha. Esta crisis implica la existencia de un problema subjetivo en un lado en la experiencia de la separación, porque el encuentro con ET significante separa a esta muchacha de sus colegas; por otro lado la existencia de dificultades en el uso de la fantasma para organizar un síntoma histérico y enfrentar las nuevas demandas de la sexualidad que la entrada en la adolescencia impone al asunto.
Estudiar el principio ayuda guiarnos en el que la anorexia piensa resolver para esto que yo sujeto.
2.1 - los vislumbres con la madre:
La madre dice su propio sufrimiento. He/she dice que eso es muy unido la hija, piensa que ella es muy dispersada y el he/she no confía en ella.
Cuenta que la muchacha nació muy fea, entonces los parientes lo rechazaron y debido a este sus padres lo protegieron demasiado.
He/she no tiene explicación para la enfermedad de la hija que era obediente, estudioso, muy bueno antes de eso; una niñez típica de los casos de anorexia. De repente, los he/she empezaron a no querer más para ir por la escuela, aislar de los amigos, el día mentido para pasar, enrolló en el propio cuerpo y para negarse a comer. Si la madre está ausente, ella entra en desesperación. Durante su tiempo, el padre, a pesar de gustar mucho la hija, no acepta la enfermedad y él está de pie atrás cuando ella no come; piensa que esto pasa para el antojo. En ese momento del internamentos va visita él en el hospital.
2.2 - el paciente:
Ella llega después de su segundo internamento que duró cinco semanas. He/she alimenta de tres en tres horas para el nasogástrica de la sonda que está usando. La muchacha no cuida con la anorexia, pero éste es un asunto importante para el equipo que cuida de ella y para la madre. Le gustaría que las personas lo dejaran solo; el he/she piensa que eso come bien. Porque su he/she es la madre que alimenta mal y que ella insiste que para que la madre coma, la madre se queja ese you/he/she no apoya a la hija que pide para comerlo, you/he/she ya engordados 10 kilos después de la hija empezaron el anorexico del proceso.
En el contexto de este discurso yo digo que el problema aparece en la comida, pero puede relacionarse con otras cosas. Es no ser gordo o adelgazar, pero de ser feliz.
Esta intervención, puntos en la dirección de quitar al paciente del discurso de la necesidad y de la demanda el" coma" maternal, pensando abrir un espacio para desejo.É un esfuerzo del descentrar el problema de la comida para encontrar un punto que se dirige en el sentido de su enigma y se articula al significante del traslado. Después puede observarse que Feliz fue el palabra-importante para a la resolución del enigma de enfermarse de este paciente.
Despacio ella va y está hablando sobre su diario. He/she destaca de su discurso una tendencia a querer acompañar a la madre en las tareas domésticas, por otro lado a la madre no apoya que la hija camina el tiempo entero detrás de ella. Pensando en el problema de la separación y tiende como base la información que la primera señal de la enfermedad fue a él se niega a yendo a la escuela, yo pregunto el he/she/it había alguna cosa entre ella y los colegas. En ese momento, ella hace silencio y interrumpe la sesión. Después los he/she dirán lo que pasó.
En otra sesión ella dice que su historia favorita es: " el Feo" el Pato, al que yo lo digo," él era un cisne". Ella contesta" para ser un he/she del cisne tenidos que abandonar a la madre, los hermanos, todo". Después de la sesión del Pato Feo, pasa un cambio radical: el he/she empieza a comer bien, engorda algunos kilos, el he/she estudia de nuevo y vuelve a tomar su vida social.
El efecto sorprendente de esta sesión demuestra eso había cierta elaboración hecha respecto a por la muchacha de su problema Alienação/Separação. nosotros Recordamos la madre que cuenta como la hija él fue rechazada por la familia al nacer, por ser feo, y la protección exagerada que los padres lo dieron.
La madre animó con la mejora súbita y creyendo en una cura, el he/she decide pedir a la hija algunas veces él pasar al algunos la casa de tíos. Yo contraindico esta decisión, pero aun así, la madre insiste en tal deliberación y el you/he/she interrumpe el tratamiento.
La muchacha no apoya la separación y ella hace una nueva crisis con la que puede entenderse como un esfuerzo de rescate de la relación el Otro del amor que que da lo que ella no tiene, este esfuerzo que tiene lugar como una maniobra de la separación en you/he/she de acto falla que el anorexica consigue lograrlo es una pseudo-separación, el anoréxico sujeto no apoya la angustia de la separación, porque no consigue lograr el trabajo del luto que esto implica.
En esta perspectiva el Cisne del caso que empieza el anorexico del cuadro trabajó cuando los colegas lo llaman ET, y ella los separa, presenta una mejora cuando elabora algo empezando de su historia preferida el Pato Feo, la alegría ha jugado, pero nosotros sabemos que esto no es bastante, es necesario el acceso a otras modalidades de alegría, con la separación ella se enferma de nuevo.
En el retorno al tratamiento, ella explica entonces con gestos que el he/she no quiere hablar, es ofreció papel donde escribe: " por favor, permítame hacer lo que yo quiero, ir por el hospital, poner la sonda y estar allí."
Yo digo que a la madre escucha a la hija delante de la muchacha. Yo pienso con esto que la madre no condiciona su amor, así como regresando al momento inicial, en el sentido de espacio de la apertura para el deseo. Esta intervención con la madre es firme, porque la palabra dirigida la madre era una forma de introducir un espacio entre ella y la hija que la función paternal carente (pero no el foracluida), I/you/he/she no había permitido. Comer o no comer no son el asunto fundamental. Al mismo tiempo nosotros devolvimos al momento inicial que intenta mover el asunto de comer o no comer para el asunto de ser feliz y esta manera de abrir espacio para el deseo, implicándolo como sujeto a apropiado de su síntoma en el transferencial de la relación.
Siendo el paciente internado, el equipo del hospital instituye la comida para la sonda y suspende las visitas y la TELEVISIÓN. A la demanda de la madre yo lo visitaré y yo pregunto su opinión en el tratamiento, su respuesta es lacaniana:
Yo no cuido, yo no quiero TELEVISIÓN, visita, ALGO", al que sorprendentemente los aumentos: - él" no es eso no quiere comer. Si los he/she tuvieran un menú en el que NADA fue escrito, yo preguntaría esto comido" .A uncen el he/she estaba dando lo que ella quiso.
Ella aumenta el peso, recibe alto y regresa para la asistencia en la clínica de salud nacional.
En el he/she de las sesiones dibuja y el he/she más tarde habla algunas palabras. En todo el he/she de los dibujos aparece un rascó fuera la frase, cuestionada en esto, que ella dice que eso no sabe. Ciertamente rascado fuera nosotros toma forma el Realmente que en la cuesta significante la falta estructural del asunto representa y en la cuesta del objeto sus pulsional objetan algo.
En un dibujo ellos aparecen tres mariposas: uno bonito y dos feo. Ella escribe que las mariposas viven en el mismo mundo, pero el bonito y coloreado, a pesar de la belleza, es infeliz y tímido y los dos feo, a pesar de ellos no se colorado, ellos viven feliz y extrovertidas. Acerca del dibujo se expresa con la reflexión siguiente: Yo soy un poco de cada un ...Pensava que para la persona estar contento necesitaron ser bonito; Yo aprendí que eso no está así.
En este momento, ilumina el principio de su anorexia y dice lo que pasó él con precisión: en la escuela los colegas lo llamaron ET para su fealdad, esto lo tomó el aislar y estar enfermo. Ilumina la resolución de su anorexia al mismo tiempo, al decir que al principio del tratamiento, cuando era que preguntó el he/she/it había alguna cosa entre ella y los colegas y cuando los he/she oyeron que era estar contento, los he/she recordaron a los colegas que lo llaman ET y he/she preguntaron: pueda" un ET está contento"? En ese momento, dijo nada porque sentía vergüenza y dejaron los he/she el cuarto que interrumpe la sesión.
¿Fue a la contingencia del analista para haber pronunciado la palabra feliz el uno que qué he/she hicieron efecto en el tratamiento de este caso?
La interpretación que trabajó como acto donde era marcado que era no ser gordo o adelgazar, pero de ser feliz, se articuló con la historia del Pato Feo, con ET significante - su apodo en la escuela - significante esto que dio la salida de la anorexia, álíese al significante feo con eso se recibió al nacer. Estos significantes actuaron sobredeterminando la anorexia en la perspectiva de Alienação/Separação y en la dificultad del aceder a la posición femenina.
Feliz era el significante que, al ser pronunciado por el analista, toma a una elaboración que culmina en el questionamento siguiente: ¿alguien feo puede estar contento? La elaboración de esta pregunta demuestra eso había una movilización de saber, una construcción de saber, que eso trabajó como un tratamiento.
Feo parece ser el significante del traslado. En la perspectiva del supereu, este adjetivo, como imperativo de alegría, lo tomó la miseria; en la perspectiva de la recuperación de su deseo, Feo el Feliz podría articularse.
La vergüenza es un elemento fundamental que aparecía que cuando ella recordó el apodo ET y él se hizo la pregunta: ¿Puede ser un ET feliz? La vergüenza es la señal de restitución del caso del amo significante y he/she revela el pasaje del pseudodiscurso capitalista al discurso del inconsciente.
Otro punto interesante que merece prominencia que empieza de la primera interpretación él es respecto al temporalidade:
¿El momento? ¿de vista - pueda" UN ET está contento?"
¿El tiempo de -pato Feo comprensivo, El? mariposas.
¿El momento de fin - Feia/Feliz, puede ser un ET? feliz.
En el momento en eso va y está dejando el anoréxica de la posición, el concomitantemente se observa edípicos de los elementos y histérico en sus dibujos y en las reflexiones que el he/she hace en éstos.
1 - en un he/she del dibujo un muchacho que apunta un árbol lleno de manzanas para una muchacha que no había visto las frutas aparece.
2 - nombró otro dibujo de" el Mundo coloreado y parejas de pájaros pequeños."
3 - en otro he/she un diálogo aparece entre ella y el padre.
En este tiempo ella es más gorda y es dice que eso es diferente, al que ella contesta: Yo soy" más femenino" y apunta para los pechos.
He/she trae los bordados que el he/she hace, el he/she habla sobre el viaje que hizo con la madre, del parque, de los primos, del amigo, de su vanidad femenina,: Yo tomé la ventaja de eso que viajará, yo hice el pelo y yo pinté las uñas, me muestra con orgullo.
4 - Trevos: Yo pido los rascaron fuera la frase, y yo apunto eso en todos los dibujos raye una parte. Yo no sé que porque yo rasco fuera, no había observado esto. Yo pienso que esto rascó fuera los puntos de la parte al Real.
4 - en su en último lugar el dibujo, dice una historia en que llega en casa con el dinero que ganó vendiendo las cajas que los he/she hicieron. He/she dice que el padre lo llama el caixeira y que ella será los caixeira del padre.
Después fue verificado que ella el retaked sus estudios y los problemas con la comida ellos no regresaron. Se apuesta que que la anorexia no regresa, por consiguiente la muchacha demuestra en sus dibujos y discursos que los you/he/she empezaron una entrada en lo que ella podría llamarse la estrategia histérica.